Sexta-feira, Outubro 15, 2004

Mais ninguém...

[Quando uma meta se corta sem se estar à espera...quando alguém nos abandona por variados motivos...quando "sabe-se-lá-o-quê" atravessa o caminho de cada um e corta com o suposto destino...que sentimentos? Que pensamentos? Que vontades? Que dizer? O que se fazer? Esconder? Enfrentar? Desistir? Não chorar? O quê?...]

Não consigo conter. Raiva. Dor. Desistência. Não quero desistir. Mas preciso. Falas do meu amor por ti como se alguma vez na tua vida tenhas experimentado algum amor como este que sinto. Detesto-te. Mas amo-te como ninguém te amará. Percebe. És único. Foste único. Porquê!?

A questão continua firme.

Ver te partir naquele dia, naquela ponte, cabisbaixo, pensando no que estarias a fazer. Se seria correcto. Se seria um erro. Olhaste para mim, uma última vez. De joelhos chorava, implorando a tua volta, suplicando para não partires. As lágrimas. Essas não secam nunca. Julguei que iria erguer a face e sorrir, enquanto te via abandonar aquilo que mais amaste. Mas fraquejei e desleixei o meu espírito à facilidade do choro. Deixei que fosse devorado o que de mais precioso existia em mim. Morri naquela tarde. Morri afogada nas minhas lágrimas. Morri sem tu te aperceberes.

A vida continuou. E eu permaneci sempre, de joelhos, chorando, aguardando a tua vinda, a tua volta. O teu regresso. Não digas que já chegou ao fim aquilo que ainda nem teve oportunidade de começar. Volta atrás no tempo. Reflecte. Vê como eu te amo. Mais ninguém o fará. Mais ninguém mudará por ti como eu o fiz. Mais ninguém te vai admirar. Mais ninguém...

Olha-me nos olhos...

[Enfrentar, sem dúvida, é a melhor escolha. Esconder é ter a cobardia de mentir até a nós próprios. É perder a sanidade.]