Segunda-feira, Agosto 30, 2004

Mentiras...

[Um desejo de desaparecer que se impugna à enorme vontade de enfrentar toda e qualquer coisa com um sorriso. O eterno dilema entre a verdade e a mentira...]

Quando julgava que por dentro de ti florescia a lealdade, quando perante a transparência da tua alma contemplava verdade e beleza, recriaste-te no formato de uma inocente lágrima que não quiseste desprender perto de mim. A frieza do meu olhar confrontava a cor rosada da tua face e tu pressagiavas que eu partisse à descoberta.

O sol raiava lá no alto, no Céu onde nunca perdemos a oportunidade de fustigar através dos sonhos...o calor que se fazia sentir não derretia o glaciar que Deus colocou entre nós. A mentira. O frio. A lágrima que não deslizou no teu rosto.

Arrisquei confiar nas verdades em que acreditavas, depositei em ti todos os mais íntimos pensamentos que em mim cultivava. E tudo por uma lágrima que não te encorajou à verdade.

Como posso eu esquecer a usurpação, a perfídia, a diferença no olhar, o devaneio inacabado? Posso ignorar, posso vestir uma máscara, esconder-me por detrás da falsidade...posso, sim, eu posso...

Porque, mais uma vez,"...sometimes a lie is the best thing!?...

[Retribuímos aos outros aquilo que eles nos consagram: tanto de bom como de mau. É o destino irrevogável do Homem, é o desenrolar perigoso do Bem contra o Mal, é a luta por discriminar a mentira, a ficção e a desejada verdade. Não te enganes que enganas os outros. Não negues a verdade aos outros pois estarás a ocultar a pureza em ti.]



Sexta-feira, Agosto 27, 2004

Quando éramos...como somos!

[O passado em confronto com o presente...o que já fomos, o que as experiências provocaram de diferente em nós. A companhia de um amigo, de um porto de abrigo certo, do refúgio que sempre esteve lá...mas que agora, nos dias que correm...já ninguém sabe onde está!]

As diferenças entre nós acentuaram-se quando seguimos trilhos diferentes, quando nos separamos por diversas e múltiplas razões. Da estrada negra da vida que ambas cultivávamos.

A vida nem sempre segue aquilo que achamos que deveria seguir, aquilo que desejamos que siga! Ela prega-nos rasteiras para, ao cairmos do abismo, termos forças para o subir de novo, cravando as garras que Deus nos deu nas rochas escorregadias.
Agarrei-me a ti como tábua de salvação, como ídolo que pretendia seguir mas agora sinto que deixei para trás alguém que eu nunca admirei, que na verdade eu nunca quis ser igual a ela. És diferente. Tanto que ás vezes até me assusto com a gigantesca diferença de seres. Não percebes.

E ainda por cima cortas-me a cada passo que dou, indicas-me caminhos falsos para na rasteira das folhas cair, para me levantar sozinha, sem ter o teu auxílio. Não percebes de todo.

Mas também não me preocupo...não percebo, tal como tu. Mas quem percebe? Quem lê infinitos livros, na esperança da sabedoria o ajudar? Ou precisamente quem vive o dia a dia na confiança dos balanços e das curvas encaixarem na perfeição da consciência do que é viver? Ou quem não vive, apenas sobrevive às tentações carnais que o mundo materialista oferece?...

Quem?....eu ou tu? Ou o que fui e tu me acompanhaste quando eras?...

[?A cidade está deserta e alguém escreveu o teu nome em toda a parte! Nas casas, ou nos carros, nas pontes, nas ruas...em todo o lado essa palavra é repetida ao expoente da loucura. Ora amarga, ora doce. Para nos lembrar que o amor é uma doença, quando nele julgamos ver a nossa...cura...
O amor como amizade, a amizade como um doentio amor...a cura...essa ninguém descobriu, ainda...]


Quinta-feira, Agosto 26, 2004

Lembras-te?

[As memórias são como teias de aranhas que encorajam para a perdição, para o desatino dos sentidos quando permanecemos na realidade...]

...Daquela tarde, enquanto passeávamos de mão dada, sentindo o suor um do outro, não querendo que o Sol se pusesse por detrás do horizonte, visto ser sinal de despedida?...

...Da noite em que a Lua enchia o céu de grandiosidade e as estrelas compunham o perfeito cenário romático para os abraços e beijos que entregamos um ao outro, pelo toque sensual dos nossos lábios, pelo corpo ansioso por sentir o calor de outro?...foi nessa noite que disseste o quanto me amavas...

...Da cama, dos lençóis quentes, da janela que trazia o sabor do mar, do vento, as vozes não familiares que acordavam o dia?...do espelho no qual reflectí­amos as nossas faces, sorridentes, felizes, viventes de um mundo onde a vida era simples e mãe de todos?...

...De mim?...

[A falta de auto estima cria em nós desejos mortais de desaparecer, fugir, evaporar, não mais enfrentar o mundo que tão cruelmente se quer desenhar perante os nossos olhos. Se respirarmos fundo, se nos virmos ao espelho e percebermos que temos tanto para dar aos outros porque somos iguais aos outros...seremos então abençoados pela libertação total das vidas passadas, dos momentos que já foram mas que nos atraiçoam sempre que querem! Controlo!]